Freguesia

Freguesia de Salvador e Santo Aleixo

A antiga Freguesia de Ribeira de Pena – Salvador,  fazia parte, em conjunto com outras seis freguesias,  do Concelho de Ribeira de Pena, situado no Distrito de Vila Real, agora extinta no âmbito da reorganização administrativa.
É uma freguesia com 2417 habitantes (2011), ocupando uma área de  3814 ha, em que 1883.39 ha são terrenos privados, 1885.84 ha de baldios e  inseridos nestes estão 33.14 ha com licensas de cultura condicionadas, emitidas pela DGRF a diversos compartes da mesma. Possui uma densidade populacional de 67.5 hab/km2 e é a freguesia  sede de concelho.

Salvador cuja toponímia deriva do padroeiro da mesma Divino Salvador, é muito vasta e estende-se tanto pelos montes que se apresentam de um lado como na “concha” em declive que enfeita o outro lado e em que domina o (rio) Tâmega. Os pontos de interesse são múltiplos e integram-se em vários campos, desde o rico estudo genealógico até á bibliografia de Camilo Castelo Branco; do património natural ao artístico, nas suas vertentes de popular, arqueológico, rural, etc.

A urbanização não deixa esta vila mal colocada se a compararmos com outros núcleos  considerados de maior importância, mantendo-se á volta da imponente Igreja Matriz do Divino Salvador (onde casou pela primeira vez Camilo Castelo Branco), as construções mais antigas. Em frente desta, o Cruzeiro da Independência, ao lado o edifício sóbrio e elegante dos Paços do Concelho (Câmara Municipal). Em volta deste “centro”, encontram-se delegações Bancárias, Correios, GNR, Serviços de Finanças e Florestais, Farmácia, Bombeiros Voluntários, Escolas, etc.

Da nova freguesia fazem parte várias povoações cada uma com fontes de riqueza próprias, como solares, relógios de sol, moinhos, espigueiros, monumentos religiosos, etc. Referenciamos algumas delas nomeadamente: Balteiro, Bacelar, Bustelo,   Caminho, Cavalinho, Concelho, Daivões, Escarei, Friume, Fontes, Portela de Santa Eulália,   Póvoa, Reboriça, Ruival, Santa Eulália, Senra , Trofa e  Vilarinho e agora ainda Santo Aleixo, Bragadas e Manscos.

A antiga Freguesia de Santo Aleixo de Além Tâmega, do concelho de Ribeira de Pena, localiza-se numa encosta da serra de Barroso, na direcção Ribeira de Pena — Boticas. Detentora de uma área de 12,46 quilómetros quadrados, esta freguesia é constituída pelos lugares de Bragadas, Manscos e Santo Aleixo.

Começamos por fazer uma abordagem global sobre a nova Freguesia  e assim sendo fazer referência ao primeiro floral do concelho, então designado por “Terra de Pena” concedido por D. Afonso IV 2m 1331.

A Freguesia de Salvador/Santo Aleixo de Além Tâmega resulta da união de duas freguesias – Salvador e Santo Aleixo. Esta última referenciada na maioria dos dicionários corográficos como Além-Tâmega. Aliás a sua designação correta é Santo Aleixo de Além-Tâmega derivada do padroeiro Santo Aleixo e situação geográfica em relação ao rio (Tâmega).

A ligação entre as duas margens, sempre muito difícil e através de precários meios de passagem nomeadamente por poldras, barcas ou pela ponte de arame que ainda existe. Só a partir de 1963 a ligação entre as terras de aquém e de além passou a ser feita de forma eficaz com a construção da imponente ponte de pedra que liga as duas margens. Esta separação do Tâmega individualizou sempre a ex-freguesia e acarretou por exemplo um facto relevante – a ligação especial ao Barroso (Canedo) e povoações de Cabeceiras de Basto (Cunhas e Moimenta). Aqui não havia que confrontar os perigos da “corrente”.

Daí Camilo Castelo Branco na “História de uma Porta”, referenciar a terra de Além-Tâmega como o começo do Barroso.  É uma povação excecionalmente rica em arquitetura rural. A riqueza agrícola de então e o “dinheiro brasileiro” vindo nos finais do séc. XVII e XVIII contribuíram para a edificação de importantes casas solarengas, com os seus anexos agrícolas, as suas casas de caseiros com varandas de madeira, já quase inexistentes, os espigueiros e diversos moinhos – presença de boa produção agrícola de outrora.

Com a sua riqueza arquitetónica, Santo Aleixo poderia ser um ex-libris nacional não fora algumas edificações mal dimensionadas. Reúne no entanto qualidades para se fazer notar.

No mundo em que vivemos, começa a dar-se valor aos atributos rurais e Ribeira de Pena – Santo Aleixo nomeadamente, tem trunfos para jogar neste campo. Referenciamos o linho, cultivado com abundância há décadas atrás e que ainda marca presença em diversos momentos na mesa de muitos habitantes da freguesia, nomeadamente em Santo Aleixo, onde era uma cultura de subsistência obrigatória. A ele se devia a confeção desde o pano da cozinha aos lençóis, toalhas de cara  e mesa e até algumas peças de vestuário.

 


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